quinta-feira, 11 de julho de 2013

OS CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM E O PLANEJAMENTO ESCOLAR



OS CONTEÚDOS DE APRENDIZAGEM E O PLANEJAMENTO ESCOLAR
Daniela Karine Ramos

. Introdução
Este trabalho tem como objetivo ampliar a noção de conteúdos de aprendizagem e apresentar uma proposta de planejamento de aulas. A pesquisa desenvolvida tem natureza teórica e aborda a tipologia de conteúdos a partir da obra de Antoni Zabala (1998, 2002, 2010), o planejamento escolar e os componentes de um plano de aula.
No âmbito escolar, o planejamento está relacionado à organização do trabalho pedagógico, pois esta se refere “aos princípios e procedimentos relacionados à ação de planejar o trabalho da escola, racionalizar o uso de recursos (materiais, financeiros e intelectuais) e coordenar e avaliar o trabalho das pessoas, tendo em vista a consecução de objetivos” (LIBÂNEO et al., 2003, p. 316).
Ao mesmo tempo, o planejamento precisa corresponder aos documentos que orientam a prática escolar, como as propostas curriculares dos estados, os projetos político-pedagógicos e os PCNs. Assim, todo professor precisa tomar conhecimento desses documentos orientadores para planejar e organizar suas atividades e prática docente. A leitura desses documentos pode revelar aspectos passíveis de crítica, os quais podem nortear reflexões e discussões.
Em muitas situações práticas, o planejamento é percebido apenas como um procedimento burocrático e estático, no qual itens são preenchidos, como objetivos, metodologia, recursos e avaliação. Sem que o resultado desse momento de planejamento sirva para orientar a prática pedagógica e sem que essa prática contribua para rever o planejamento anterior realizado a partir da avaliação e reflexão do que se desenrolou no contexto escolar.
O planejamento deve ser dinâmico e constantemente alimentado pela prática, pois, sobretudo, constitui-se em um momento de reflexão, no qual as finalidades da educação, as dimensões dos sujeitos são recolocadas e significadas, as práticas pedagógicas são sistematizadas e, posteriormente, avaliadas com base nos objetivos definidos.
Considerando a função do planejamento, a hipótese que norteia este trabalho é que a organização do trabalho pedagógico a partir da tipologia de conteúdos descritas por Zabala interfere no planejamento do professor para responder a um enfoque globalizador, pois amplia os objetivos de aprendizagem, diversifica os procedimentos metodológicos e inclui a observação e o registro no processo de avaliação.

2. O enfoque globalizador na educação
A educação escolar não se limita ao ensino de conteúdos entendidos como um conjunto de informações sistematizadas e organizadas relacionadas a uma determinada área do conhecimento. Os conteúdos podem ser inter-relacionados, transdisciplinares, interdisciplinares e abranger capacidades cognitivas, motoras, afetivas, éticas e sociais.
O enfoque globalizador da educação concebe o aluno em uma perspectiva mais holística e integral, defende que a organização dos conteúdos e atividades de ensino priorizem a aprendizagem significativa. Os conteúdos não podem ser segmentados, separados e descolados da realidade do aluno, pois precisam ser apropriados por eles de modo a tornarem-se instrumentos de observação, análise, experimentação, intervenção e reflexão sobre a realidade e os problemas com os quais eles se deparam.
A atuação pedagógica com um enfoque globalizador parte do pressuposto que os conteúdos de aprendizagem são “sempre meios para conhecer ou responder a questões que uma realidade experiência dos alunos proporciona: realidade que é sempre global e complexa” (ZABALA, 2002, p.28). Este enfoque contribui para ampliar a própria noção de conteúdos de aprendizagem que inclui não só conteúdos factuais e conceituais, mas também procedimentais e atitudinais.

2.1 Conteúdos Factuais e Conceituais
Segundo Zabala (1998), os conteúdos factuais que se referem ao conhecimento de fatos, acontecimentos, dados e fenômenos concretos e singulares, como exemplos teríamos as datas comemorativas, o nome de pessoas, a localização de um território ou a altura de uma montanha. Devido às características desse tipo de conteúdo, a aprendizagem envolve a repetição do conhecimento e podemos afirmar que é uma aprendizagem do tudo ou nada, pois não podemos dar meio certo para a data de um evento ou nome de um autor de obra literária. Assim, envolve a capacidade de memorização do aluno, que pode utilizar-se de estratégias pedagógicas que envolvam exercícios de fixação, a repetição verbal ou escrita, a construção de esquemas, o agrupamento por categorias.
Os conteúdos conceituais relacionam-se com conceitos propriamente ditos e referem-se ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que possuem características comuns. Além disso, esse tipo de conteúdo inclui também princípios que se referem às mudanças “[...] que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos ou situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação” (ZABALA, 1998, p. 42). Temos como exemplos de conceitos: mamífero, densidade, impressionismo, romantismo; e, como exemplos de princípios, a Lei de Arquimedes, as regras de uma corrente literária, as conexões entre diferentes axiomas matemáticos. Desse modo, temos conteúdos mais abstratos que envolvem a compreensão, a reflexão, a análise e a comparação, por isso não basta repetir a informação; é necessário compreender e utilizar os conhecimentos.
A partir dessas características, o processo de ensino e aprendizagem desses conteúdos deve privilegiar a construção do conhecimento por meio da proposição de atividades mais complexas, desafiadoras e que partam dos conhecimentos prévios. Assim, durante o processo de aprendizagem, o aluno precisa adquirir informações e vivenciar situações-problema que o conduzam a novos conhecimentos, partindo de seus conhecimentos prévios para a elaboração de novos conceitos.
Tradicionalmente, a escola centra-se mais no trabalho com os conteúdos factuais e conceituais, que sem dúvida são importantes para a formação do aluno, o qual precisa situar-se em relação aos conceitos e fatos para compreender a realidade atual. Nesse sentido, Coll (1997) afirma que esses conteúdos corresponderiam ao compromisso científico da escola de transmitir o conhecimento socialmente produzido.
Ao pensarmos no desenvolvimento de uma aula sobre conteúdos factuais e conceituais, precisamos inicialmente definir os objetivos de nossa aula no momento anterior de planejamento e definir a seqüência didática que nos permitirá alcançá-los. Considerando a elaboração de objetivos exemplificamos alguns verbos que podem ser utilizados em objetivos relacionados aos conteúdos factuais e conceituais: analisar, classificar, comparar, contextualizar, descrever, distinguir, explicar, interpretar, listar, relacionar.

2.2 Conteúdos procedimentais
Os conteúdos procedimentais envolvem ações ordenadas com um fim, ou seja, ações direcionadas para a realização de um objetivo. Referem-se a um aprender a fazer, envolvem regras, técnicas, métodos, estratégias e habilidades. Como exemplos, temos: ler, desenhar, observar, classificar e traduzir (ZABALA, 1998).
A aprendizagem desse tipo de conteúdo envolve a realização de ações, ou seja, é preciso fazer para aprender. Ao mesmo tempo, o seu domínio envolve o exercício e a aplicação em diferentes contextos. Ao realizar a ação pretendida, a reflexão sobre a própria atividade nos permite tomar consciência sobre o que fazemos e melhorar nossa habilidade (ZABALA, 1998).
Desse modo, é importante que a sala de aula torne-se mais dinâmica e favoreça a realização de ações, a promoção de vivências aos alunos, o exercício de habilidades que favoreçam a autonomia para analisar e criticar os processos colocados em ação e seus resultados.
Ao planejarmos e organizarmos uma aula podemos tornar explícito, por meio da delimitação de objetivos nossa intenção de desenvolver habilidades em nossos alunos relacionadas à abordagem de conteúdos procedimentais. Nesse sentido, relacionamos alguns verbos que podem ser utilizados na formulação de objetivos relacionados a conteúdos procedimentais: aplicar, compor, confeccionar, construir, desenhar, dramatizar, executar, experimentar, observar, representar, utilizar.

2.3 Conteúdos Atitudinais
Os conteúdos atitudinais envolvem valores, atitudes e normas. Assim, incluem-se nesses conteúdos, por exemplo, a cooperação, a solidariedade, o trabalho em grupo, o respeito, a ética e o trabalho com a diversidade.
As atitudes “são bastante complexas, pois envolvem tanto a cognição (conhecimentos e crenças) quanto os afetos (sentimentos e preferências), derivando em condutas (ações e declarações de intenção)” (BRASIL, 1997, p. 33).
Segundo Zabala (1998, p. 48), a aprendizagem dos conteúdos atitudinais

[...] supõe um conhecimento e uma reflexão sobre os possíveis modelos, uma análise e uma avaliação das normas, uma apropriação e elaboração do conteúdo, que implica a análise dos fatores positivos e negativos, uma tomada de posição, um envolvimento afetivo e uma revisão e avaliação da própria atuação.

A partir disso, Coll (1997) afirma que os conteúdos atitudinais correspondem ao compromisso filosófico da escola: promover aspectos que nos completam como seres humanos, que dão uma dimensão maior, que dão razão e sentido para o conhecimento científico.
Este compromisso da escola pode estar expresso nos objetivos educacionais, contemplando a intenção de favorecer o desenvolvimento de comportamentos éticos, o respeito às normas e a manifestação de atitudes positivas. Nesse sentido, exemplificamos alguns verbos que podem ser utilizados na construção desses objetivos: aceitar, agir, comportar-se, comprometer-se, obedecer, perceber, ponderar, praticar, preocupar-se, reagir, respeitar, responsabilizar-se, sentir, ser consciente, tolerar.
Ao planejarmos o desenvolvimento de uma pesquisa em grupo aos alunos sobre vida de alguns autores da literatura brasileira, podemos ter objetivos factuais e conceituais relacionados às obras, a identificação do gênero literário e a identificação do período histórico, por exemplo. Nessa atividade também exercitamos nos alunos o espírito investigador e pesquisador, bem como a habilidade de manipular as fontes e os mecanismos de busca. Ao mesmo tempo em que trabalhando em grupo precisam respeitar a opinião do colega, estar comprometidos com a atividade, expor as ideias e sugestões para o desenvolvimento do trabalho, entre outras atitudes que podem ser previstas nos objetivos da aula.
A partir da tipologia de conteúdos apresentada, cabe-nos refletir sobre como podemos planejar e desenvolver práticas pedagógicas que favoreçam o trabalho com esses diferentes tipos de conteúdos. Inicialmente, precisamos considerar que trabalhar esses diferentes conteúdos exige práticas pedagógicas diversificadas. Além disso, esses conteúdos estão relacionados a uma demanda social e ao contexto atual, que prescinde de sujeitos com competências que vão além dos aspectos cognitivos.
O trabalho com esses diferentes tipos de conteúdos em uma prática pedagógica são anunciados já nos objetivos educacionais, que vão nortear sua ação e avaliação. No quadro a seguir, observe como a tipologia de conteúdos pode ser identificada nos objetivos que são descritos para uma prática educativa.

3. Plano de aula: definindo trajetórias do processo de ensino e aprendizagem
Há diferentes modalidades de planejamento educacional, como o projeto pedagógico da escola, o plano de unidade didática ou de ensino e o plano de aula. Este último pode ser definido como um documento que sistematiza o planejamento do trabalho pedagógico organizado por temática ou aula, descrevendo os objetivos, o tempo, os procedimentos metodológicos, os recursos e o processo de avaliação.
O plano de aula é a previsão mais próxima do cotidiano de sala de aula e da atividade docente, envolvendo a definição de aspectos importantes da organização do trabalho pedagógico que visam orientar o processo de ensino e aprendizagem.
O processo de elaboração do plano de aula refere-se a momento de reflexão do professor e materializa o aspecto intencional presente no processo educativo. Nesse momento o professor faz escolhas, reafirma que tipo de sujeito pretende formar, avalia suas práticas anteriores, considera suas experiências, considera o processo já desenvolvido e as condições materiais, sociais, afetivas e culturais vivida.

3.1 Objetivos Específicos: o que queremos que os alunos aprendam?
Os objetivos específicos são de curto prazo e desdobram-se em ações concretas a serem realizadas. Como são específicos, é importante utilizarmos verbos que não permitam muitas interpretações.
Alguns verbos não recomendados para utilizar em objetivos específicos, pois permitem muitas interpretações: Desenvolver; Aprender melhor; Entender; Pensar; Compreender; Conhecer; Aprimorar; Cooperar.
A seguir apresentamos alguns exemplos de objetivos específicos e entre parênteses apresentamos o tipo de conteúdo principal sobre o qual o objetivo específico foca-se, como exercício inicial de pensar na previsão de objetivos específicos abordando os diferentes conteúdos. Porém não se recomenda a classificação no plano de aula por considerarmos que os diferentes tipos de conteúdos são abordados de maneira mais global e inter-relacionada na prática escolar:
a) Redigir um texto dissertativo sobre a violência retratada nos meio de comunicação de massa (procedimental).
b) Respeitar as regras estabelecidas para os momentos de exposição oral e da leitura dos textos dos colegas (atitudinal).
c) Apropriar-se de normas de colocação pronominal, aplicando-as corretamente nas produções textuais (conceitual/procedimental)
d) Explicar a origem e a evolução da língua e da literatura portuguesa (conceitual).

Observe que, a partir dos objetivos específicos, respondemos o que os alunos serão capazes de fazer ao final da atividade, aula, disciplina ou curso previsto. São objetivos de aprendizagem. Assim, para formulá-los, podemos completar a seguinte frase “Ao final, o aluno será capaz de...”. Essa frase não precisa aparecer, pois se recomenda que os objetivos iniciem com verbos no infinitivo, por isso complete essa frase mentalmente. Note que são ações, comportamentos que você, enquanto professor, poderá verificar e avaliar durante o desenvolvimento das atividades em sala de aula e a partir dos instrumentos de avaliação utilizados.

Exemplos de verbos indicados para objetivos específicos
Aceitar Analisar Aplicar Apontar Citar  Classificar
Combinar Comparar Compartilhar Compor Comunicar-se
Contribuir  Criar Definir Demonstrar Desempenhar Discutir Distinguir Dizer
Dramatizar  Escolher Explicar Identificar Indicar Ordenar Revisar Respeitar
Traduzir

3.2 Conteúdos: o que vamos abordar nas aulas?
Apesar de encontrarmos parâmetros e propostas curriculares que proponham os conteúdos a serem trabalhados, o professor organiza-os, define os tempos dedicados ao trabalho de cada temática e o modo como ele será desenvolvido em sala de aula.
No plano de aula, o professor informa os conteúdos que serão abordados nas aulas que estão sendo planejadas. Essa indicação pode ser feita por tópicos e incluir conteúdos conceituais, factuais, procedimentais e atitudinais.
Os conteúdos conceituais envolvem principalmente competências cognitivas, como a abstração, a observação, a imaginação, a comparação, a tomada de decisão, a interpretação, o levantamento de hipóteses, a realização de escolhas, a memorização, a reflexão, o estabelecimento de relações, a elaboração de generalizações, a identificação de regularidades, a ressignificação da realidade social vivida e o exercício da postura crítica. Tanto os objetivos como os procedimentos vão demarcar o modo como esses conteúdos são trabalhados e quais competências serão privilegiadas.
Os conteúdos procedimentais envolvem a participação ativa do aluno, na experimentação, no exercício de habilidades, na ação individual e conjunta, a tomada de decisões e a definição de estratégias sobre um fazer objeto de ensino.
Os conteúdos atitudinais podem ser pensados como transversais ao conteúdo programático. Assim, podemos trabalhar valores, atitudes e normas a partir da metodologia prevista e, a partir dela, trabalhar esses aspectos e contribuir com o desenvolvimento de um ser humano ético, responsável, participativo e consciente de seu papel social.
A inclusão de objetivos e conteúdos atitudinais no plano de aula zelam pela intenção do professor trabalhar aspectos comportamentais, regras e valores relacionados ao exercício da cidadania e da boa convivência em sala de aula. A antecipação do trabalho sobre esses aspectos envolve a reflexão e o melhor preparo do professor para lidar com situações e conflitos recorrentes em sala de aula.

3.3 Metodologia: como vamos ensinar?
A metodologia pode ser apresentada de forma descrita e pormenorizada ou de forma objetiva. Porém, ambas as formas devem descrever o modo como o conteúdo será trabalhado e a aula conduzida.

Exemplo de descrição objetiva:
a) Aula expositiva dialogada para introduzir o conteúdo.
b) Organização dos grupos por sorteio.
c) Estudo dirigido em pequenos grupos.
d) Apresentação e discussão das questões.

Sabemos que um mesmo conteúdo pode ser trabalhado de diferentes formas e utilizando diferentes recursos. Assim, nesta seção do plano de aula, o professor descreve o modo como vai ensinar o conteúdo aos seus alunos e quais estratégias didático-pedagógicas serão utilizadas.
As estratégias didático-pedagógicas precisam ser coerentes com os objetivos específicos e favorecer que os mesmos sejam atingidos. Considerando a inclusão de objetivos que abordam conteúdos procedimentais, torna-se necessário prever atividades em que os alunos se envolvam em um fazer que possibilite o desenvolvimento de habilidades e ações, precedidas de uma reflexão posterior sobre a própria ação.
Ao mesmo tempo em que ao propor o trabalho a partir de conteúdos atitudinais é fundamental prever a interação social, o trabalho em grupo e o estabelecimento de regras que orientem sobre o fazer, o interagir, o produzir, o dialogar. Os conteúdo atitudinais supõe um modo de agir e ser que não é de qualquer jeito, pois envolvem valores e atitudes, como o comprometimento, o respeito mútuo e a solidariedade.

3.4 Recursos: o que vamos utilizar?
Quando planejamos uma atividade, precisamos identificar quais recursos e materiais são necessários e providenciá-los com antecedência. Por exemplo, se pretendemos construir um painel sobre uma determinada temática com os alunos, precisamos ter papel pardo, revistas, cola, tesoura, canetas marca texto. A partir dessa previsão, podemos solicitar que os alunos tragam os materiais ou quando possível que a escola forneça-os.
Além disso, quando lidamos com o uso dos recursos tecnológicos, como o uso do vídeo, a internet ou algum programa específico de computador, o planejamento torna-se imprescindível, pois, ao definir os objetivos e o que será feito, cabe verificar a infraestrutura necessária relacionada tanto a hardware como a software, bem como a certificação dos pré-requisitos básicos para o seu desenvolvimento.

3.5 Avaliação: como e o que avaliar?
Ao trabalharmos um conteúdo, precisamos definir como vamos avaliar se os objetivos definidos para aula foram ou não alcançados. Para tanto, descrevemos, no plano de aula, os instrumentos e os critérios de avaliação que serão utilizados.
Entre vários instrumentos, podemos ter:
a) desenvolvimento de pequenos projetos; b) realização de pesquisas; c) apresentações orais; d) produções textuais; e) resolução de problemas; f) estudos de casos;  g) provas operatórias; etc
Além de instrumentos de avaliação, podemos avaliar os alunos ao longo do processo a partir da observação e do registro com base nas atividades que vão sendo propostas. Para tanto, é importante que se tenha clareza sobre o que é esperado dos alunos (critérios) e esses podem nortear a construção de um instrumento para facilitar o registro, como uma tabela, por exemplo.
A seguir, apresentamos o exemplo de uma tabela que poderia ser utilizada para registrar a observação dos alunos na produção de um cartaz sobre determinado assunto.

Nome dos alunos Coopera e interage com os colegas na construção do cartaz Pesquisa imagens e textos para compor o cartaz Participa da apresentação oral Respeita a opinião dos colegas e administra os conflitos Utiliza adequadamente os conceitos trabalhados

A partir dos instrumentos de avaliação utilizados, sejam provas ou tabelas para o registro das observações, o professor pode refletir sobre o plano de aula sistematizado para tomada de decisões com relação às próximas ações pedagógicas, bem como para rever, adequar ou modificar seu plano de aula inicial. Desse modo, o planejamento revela-se um processo contínuo e reflexivo que permite ao professor aprimorar e melhorar sua prática pedagógica.

3.6 Cronograma: quando e quanto tempo para fazer?
No plano de aula, é preciso distribuir as atividades previstas no tempo, considerando a previsão de duração e a quantidade de aulas necessárias. Isso pode ser feito de forma bem objetiva com base na metodologia descrita, retomando-se as atividades e prevendo-se um tempo para o seu desenvolvimento. A tabela pode ser organizada da seguinte forma:

Aula Atividade Tempo previsto
Na coluna “Aula”, enumeramos as aulas e identificamos a data de sua realização; na “Atividade”, descrevemos objetivamente o que será feito, como exemplo: exposição-dialogada sobre o tema; organização dos grupos; produção textual; e, no tempo previsto, indicamos os minutos. De modo geral, o cronograma oferece uma sistematização organizada pelo tempo das atividades previstas na metodologia.

4. Considerações finais
Ao ampliarmos a compreensão sobre os diferentes tipos de conteúdos que podemos abordar na prática educativa, revemos também o planejamento escolar, o seu desenvolvimento e a avaliação.
Se nos dispomos a incluir em nossa prática conteúdos procedimentais (aprender a fazer) e atitudinais (aprender a ser e a viver junto), torna-se necessário prever atividades de interação entre os alunos, as regras de convivência, esclarecer os comportamentos esperados, bem como cabe envolver o aluno em atividades que envolvam um fazer, uma ação ou a solução de um problema.
Do mesmo modo, não podemos avaliar apenas aplicando uma prova ao final da unidade didática, pois a prova pode ser um instrumento para avaliar os conteúdos factuais e conceituais, porém, para avaliar os conteúdos procedimentais e atitudinais, precisamos observar nossos alunos fazendo algo, participando de uma atividade proposta ou interagindo com outros colegas.
Assim, o enfoque globalizador amplia a noção de conteúdos de aprendizagem, diversifica os procedimentos metodológicos e consolida a avaliação como processo contínuo e reflexivo.
Bibliografia
COLL, C. Psicopedagógica à Elaboração do Currículo Escolar. São Paulo: Ática, 1997.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais, ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998.
ZABALA, Antoni. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
ZABALA, Antoni; ARNAU, Laia. Como aprender e ensinar competências. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Daniela Karine Ramos - - Psicóloga e Pedagoga, Doutora em Educação. Professora do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de Santa Catarina

quarta-feira, 22 de maio de 2013

MODELO PLANO DE AULA


INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CARMELA DUTRA
PLANO DE AULA

Rio de Janeiro,  de agosto de 20   .

1 - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:
ESCOLA:

PROFESSOR (A):

DISCIPLINA (S):

DURAÇÃO:

ANO/SÉRIE: 4ºano do Ensino Fundamental – T.401 Manhã


2 - TEMA CENTRAL:


3 - CONTÉUDO(S):




4 - OBJETIVOS:












5 - DESENVOLVIMENTO:
























6 - RECURSOS:


7 - AVALIAÇÃO E/OU OBSERVAÇÕES GERAIS:
































segunda-feira, 6 de maio de 2013

PLANEJAMENTO E PLANO



PLANEJAMENTO E PLANO

Planejamento – Processo de tomada de decisão Orientador da ação através do qual se poderá atribuir maior eficiência à atividade humana para alcançar em prazo determinado, os propósitos estabelecidos.
Fases do planejamento:Conhecimento da realidade -  levantamento das necessidades, interesses, situações-problema, etc.Tomada de decisão – seleção de alternativas, preparação para implementação do plano.Ação ou Implementação – desenvolvimento, colocação do plano em ação.Crítica e avaliação – tem em vista o aperfeiçoamento, tomadas de novas decisões.
Planejamento em Educação
O Planejamento em Educação Processo de abordagem racional e científica dos problemas da educação, incluindo definição de prioridades e levando em conta a relação entre diversos níveis do contexto educacional. Temos assim, os seguintes níveis de planejamento em educação:
Planejamento educacional – Delineia a filosofia da educação em  um país, evidenciando o valor da pessoa e da escola para a sociedade. Visa a produtividades e a eficiência do sistema educacional do país.
Planejamento curricular – Previsão de todas as atividades que o educando realiza sob a orientação da escola para atingir os fins da educação.
Planejamento de ensino – Previsão das situações específicas do professor com a classe no processo ensino-aprendizagem.

O planejamento de ensino tem etapas que fundamentadas em exame cuidadoso da realidade: Preparação. Desenvolvimento e Aperfeiçoamento:
1º Preparação Fase de todos os passos que concorrem para a eficiência  do processo ensino-aprendizagem. São tomadas todas as decisões  relativas ao para que, como, com que meios e quando se irá trabalhar com o aluno. Essa fase culmina com a  estruturação do plano.
Conhecimento da realidade
Determinação dos objetivos - É a descrição clara do que se pretende alcançar como resultado da nossa atividade. Os objetivos nascem da própria situação: da comunidade, da família, da escola, da disciplina, do professor e principalmente do aluno. Os objetivos, portanto, são sempre do aluno e para o aluno.
Os objetivos educacionais ou gerais são as metas e os valores mais amplos que a escola procura atingir a longo prazo, e os objetivos instrucionais, também chamados de específicos, são proposições mais específicas referentes às mudanças comportamentais esperadas para um determinado grupo-classe.
Para manter a coerência interna do trabalho de uma escola, o primeiro cuidado será o de selecionar os objetivos específicos que tenham correspondência com os objetivos gerais das áreas de estudo que, por sua vez, devem estar coerentes com os objetivos educacionais do planejamento de currículo. E os objetivos educacionais, conseqüentemente, devem estar coerentes com a linha de pensamento da entidade à qual o plano se destina. Vejamos, agora, alguns exemplos de objetivos educacionais (gerais) e instrucionais (específicos):
1 - Assinale se é Geral (G) ou Específico (E):
o   Criar situações de aprendizagem para que a criança adquira conhecimentos que facilitem a localização de sua comunidade e de seu município, possibilitando-lhe a compreensão das características naturais, culturais, sociais e econômicas do ambiente em que vive.
o   Desenvolver o hábito de observação do meio ambiente.
o   Estimular no aluno o ideal de consciência grupal.


o   Identificar na comunidade os seus diferentes aspectos naturais, culturais, sociais e econômicos.
o   Utilizar os recursos da comunidade como fonte de informações.
o   Relacionar unidades de medida aos tipos de objetos apresentados no desenho.
o   Aplicar os conhecimentos de medida em várias situações no cotidiano.
o   Identificar matéria-prima e produto.
o   Destacar os centros comerciais e industriais.
o   Compreender por que os serviços públicos de atendimento às necessidades da população são direitos do cidadão e obrigação dos órgãos públicos.
o   Desenvolver a criatividade e o espírito crítico no aluno.
o   Reconhecer o mapa do município e a sua configuração.
o   Localizar o país, o Estado e o município, no mapa-múndi.
Partindo dos conteúdos, fixará os objetivos específicos, ou seja, os resultados a obter do processo de transmissão-assimilação ativa dos conhecimentos, conceitos, habilidades.
Na redação, o professor transformará tópicos das unidades numa proposição (afirmação) que expresse o resultado esperado e que deve ser atingido por todos os alunos ao término daquela unidade didática.
Os resultados são conhecimentos (conceitos, fatos, princípios, teorias, interpretações, idéias organizadas, etc) e habilidades (o que deve aprender para desenvolver suas capacidades intelectuais, motoras, afetivas, artísticas, etc.)
Na redação dos objetivos específicos, o professor pode indicar também as atitudes e convicções em relação à matéria, ao estudo, ao relacionamento humano, à realidade social (atitude científica, consciência crítica, responsabilidade, solidariedade, etc.)
Devem ser redigidos com clareza, ser realistas, corresponder à capacidade de assimilação dos alunos, conforme seu nível de desenvolvimento mental e sua idade.

Seleção e organização dos conteúdos - Refere-se à organização do conhecimento em si, com base nas suas próprias regras. Abrange também as experiências educativas no campo do conhecimento, devidamente selecionadas e organizadas pela escola.
O conteúdo é um instrumento básico para poder atingir os objetivos.
Em geral, os guias curriculares oficiais oferecem uma relação de conteúdos das várias áreas que podem ser desenvolvidos em cada série. Pode-se selecionar o conteúdo com base nesses guias. Não devemos esquecer, no entanto, de levar em conta a realidade da classe.
Outros cuidados que devem ser observados na seleção dos conteúdos:

·          Devemos delimitar os conteúdos por unidades didáticas, com a divisão temática de cada uma. Unidade didática são o conjunto de temas inter-relacionados que compõem o plano de ensino para uma série ou módulo. Cada unidade didática contém um tema central do programa, detalhado em tópicos.
·          Conteúdo selecionado precisa estar relacionado com os objetivos definidos. Devemos escolher os conhecimentos indispensáveis para que os alunos adquiram os comportamentos fixados.
·          Um bom critério de seleção é a escolha feita em torno de conteúdos mais importantes, mais centrais e mais atuais, com base no programa oficial da matéria, no livro didático adotado pela instituição.
·          É importante é o fato de o mestre estar apto a levantar a idéia central do conhecimento que deseja trabalhar. Para que tal ocorrência se verifique, é indispensável que o professor conheça em profundidade a natureza do fenômeno que pretende que seus alunos conheçam.
·          Conteúdo precisa ir do mais simples para o mais complexo, do mais concreto para o mais abstrato.

Seleção e organização dos procedimentos de ensino - Ao planejar os procedimentos de ensino, não é suficiente fazer uma listagem de técnicas que serão utilizadas, como aula expositiva, trabalho dirigido, excursão, trabalho em grupo, etc. Devemos prever como utilizar o conteúdo selecionado para atingir os objetivos propostos. As técnicas estão incluídas nessa descrição. Os procedimentos têm uma abrangência bem mais ampla, pois envolvem todos os passos do desenvolvimento da atividade de ensino propriamente dita. Os procedimentos de ensino selecionados pelo professor devem:

  • Ser diversificados;
  • Estar coerentes com os objetivos propostos e com o tipo de aprendizagem previsto nos objetivos;
  • Adequar-se às necessidades dos alunos;
  • Servir de estímulo à participação do aluno no que se refere às descobertas;
  • Apresentar desafios.

Exemplos:
  • aulas interativas, projetos de aprendizagem, etc.
  • ensino individualizado (módulos de ensino, instrução audiotutorial, estudo através de fichas, solução de problemas, etc.),
  • métodos didáticos (expositivo, interrogativo, intuitivo, etc.),
  • métodos ativos (método Montessori, método de projetos, método de trabalho em grupo, etc.),
  • Técnicas (discussão circular, debate, painel integrado, mesa-redonda, seminário, etc.)

Seleção de recursos - álbum seriado, cartão-relâmpago, cartaz, ensino por fichas, estudo dirigido, flanelógrafo, gráficos, história em quadrinhos, ilustrações, jogos, jornal, livro didático, mapas, globos, modelos, mural, peça teatral, quadro branco, quadro de pregas, sucata, textos, terrário, aquário, maquetes, equipamentos esportivos, computador, vídeo, dvd, cd, internet, sites, correio eletrônico, softwares, rádio, datashow, TV, transparências para retroprojetor, etc.
Seleção de procedimentos e avaliação - No planejamento da avaliação é importante considerar a necessidade de:
·          Avaliar continuamente o desenvolvimento do aluno.
·          Selecionar situações de avaliação diversificadas, coerentes com os objetivos propostos.
·          Selecionar e/ou montar instrumentos de avaliação.
·          Registrar os dados da avaliação.
·          Aplicar critérios aos dados da avaliação.
·          Interpretar resultados da avaliação.
·          Comparar os resultados com os critérios estabelecidos (feed-back).
·          Utilizar dados da avaliação no planejamento.

Estruturação do plano

2º Desenvolvimento Ênfase recai na ação do aluno e do professor. Gradativamente o trabalho desencadeado desenvolve  e aprimora o desempenho do aluno.
Plano em ação

3º Aperfeiçoamento Essa fase envolve a testagem e a determinação de extensão e do alcance dos objetivos.Reflete-se sobre as decisões tomadas e as atividades realizadas de modo que este procedimento permita os ajustes necessários à consecução dos objetivos.
Avaliação
Replanejamento
Diferença entre Planejamento e Plano de Ensino
O planejamento é o processo de tomada de decisão. O plano é o instrumento material  que contém as decisões  tomadas. Este registro deve ser bem feito a fim de que possa expressar claramente tais decisões.
Características (básicas) de um Plano de Ensino
Coerência – Deve haver coerência entre seus componentes. As atividades planejadas devem estar em harmonia com os objetivos.
Seqüência – Deve existir uma “unidade”, uma linha contínua que integre, gradualmente, as diversas atividades.
Flexibilidade – Deve permitir alterações como a inclusão ocasional de assuntos, temas não previstos que possam enriquecer  os conteúdos ou a supressão de elementos, de acordo com necessidades e interesses dos alunos.
Precisão e Objetividade – Os enunciados devem ser claros, precisos e objetivos. Nada deve permitir dupla interpretação ou equívocos.
Tipos de Planos de Ensino
Plano de Curso – (Geral ou Anual) É o Plano estabelecido no início da atividade anual ou no início do curso.
Plano de Unidade – (Parcial) É o Plano estabelecido para trabalhar um tema ou unidade.
Plano de Aula -  ( ou de Atividade) Consiste na operacionalização da atividade didática. Contém elementos essenciais  para que a aprendizagem se realize.
Componentes do Plano de Ensino
Dados de Identificação – Nome da escola, série, turma, etc.
Objetivos (Gerais ou Específicos) – Sintetizam os desempenhos que esperamos do aluno nas áreas cognitiva, afetiva, etc.
Conteúdos – Expressa o conhecimento  que o aluno deverá adquirir, desenvolver, aprender, construir; o que será trabalhado.
Procedimentos de Ensino – Indicam as estratégias, as técnicas, as atividades que facilitarão a aprendizagem do aluno.
Recursos – Humano e materiais - naturais (água, folha, pedra, animais etc.) ou do ambiente escolar (quadro branco, caneta de quadro, cartazes, televisão, vídeo, álbum seriado, etc.).
Avaliação – Apontam as técnicas ou instrumentos que permitirão verificar a aprendizagem dos alunos e o alcance dos objetivos propostos. Possibilita refletir a ação pedagógica, promovendo o replanejamento, quando necessário e orientando o “caminhar” da ação didática.
Cronograma – Distribui as atividades no tempo disponível para sua execução.

2 - Qual a importância do planejamento?
3 - Por que, no planejamento de ensino, deve-se fazer um levantamento das necessidades, problemas, etc.?
4 - Que decisões o professor toma na fase da preparação no planejamento de ensino?
Com
5 – O plano de ensino tem características básicas. Cite cada uma e explique.
6 – Diferencie planejamento de plano.

7 – A professora está alfabetizando a turma. Ela se preocupa com o fonema, procurando repeti-lo constantemente para que a turma memorize o mesmo. No entanto, sua estratégia para não obter sucesso. Reflita e faça uma crítica ao tipo de “ação” desenvolvida por esse profissional em relação ao seu planejamento.




PLANO DE AULA
Modelos
Modelo de Nelson Piletti:
Tema central:
Objetivos:
Conteúdo:
Procedimentos de ensino
Recursos
Procedimentos de avaliação


8 – Complete este Plano de AULA
Modelo de José Carlos Libâneo (Pedagogia crítico-social dos conteúdos):
Escola:                               Disciplina:             Data:
Série:                                 Professor:
Unidade didática:

Objetivos Específicos
Conteúdos
Nº aulas
Desenvolvimento Metodológico














Preparação:


Introdução do assunto:


Desenvolvimento e estudo ativo do assunto:




Sistematização e aplicação:



Tarefas para casa:



Avaliação:
Referencial teórico:
Plano de aula de Celso Vasconcelos:
  • Assunto: indicação temática a ser trabalhada.
  • Necessidade: explicitação das necessidades percebidas no grupo e que justificam a proposta de ensino.
  • Objetivo
  • Conteúdo
  • Metodologia: explicitação dos procedimentos de ensino, técnicas, estratégias, a serem utilizadas no desenvolvimento do assunto.
  • Tempo
  • Recursos
  • Avaliação
  • Tarefa: suas funções básicas são o aprofundamento e síntese do que está sendo visto em classe, assim como, ajudar o aluno a ter representações mentais prévias disponíveis correlatas ao assunto a ser tratado nas aulas seguintes.
  • Observações: suas anotações, reflexões e avaliação sobre a caminhada, tornando a aula um instrumento de pesquisa sobre a prática. É preciso resgatar o hábito de escrever sobre a prática (Diário de bordo), tendo em vista a possibilidade de uma reflexão mais sistemática.
Plano de aula para Juan Díaz Bordenava e Adair Martins Pereira:
  • Preparação da classe: o professor inicia o relacionamento com seus alunos, se faz conhecer se é novo, conhece os alunos e, em geral, define seu papel de orientador democrático.
  • Apresentação de uma situação-problema: o professor coloca um desafio frente aos alunos, para excitar sua curiosidade, incita-lhes a pensar, a procurar a solução. O problema pode ser apresentado como uma pergunta, como uma afirmação a ser constatada, como um caso de estudo, como um paradoxo, etc.
  • Pesquisa conjunta da solução: os alunos, desafiados pelo problema, procuram a solução. Para isso, o professor lhes orienta no uso de técnicas variáveis de pesquisa (biblioteca, entrevista, dados estatísticos, correspondência, laboratório, debates, discussões, etc.). O trabalho é fundamentalmente dos alunos, preferivelmente em grupos.
  • Teorização: as descobertas dos alunos necessitam ser organizadas e explicadas. Só assim poderá haver transferência e generalização da aprendizagem. De fato, aprender fatos não é ainda aprender. As observações devem ser levantadas ao nível da teoria. Esta é uma responsabilidade do professor, no sentido de ajudar os alunos a criar modelos ou estruturas, nas quais aparecem as principais variáveis do problema e suas relações recíprocas.
Aplicação: Os alunos testam, contra a realidade, a validade do que foi aprendido. Aí reinicia-se o ciclo, passando a outra situação-problema, que incorpore o já aprendido como um dado a mais

Metodologia  da pedagogia  histórico-crítica – José Luiz Gasparin

1º passo: PRÁTICA SOCIAL INICIAL:

nIniciar as atividades apresentando aos alunos os objetivos, os tópicos e subtópicos da unidade que se pretende estudar, e em seguida, dialogar com os alunos sobre os mesmos,

nOs alunos mostram sua vivência do conteúdo, isto é, o que já sabem sobre o tema a ser trabalhado e perguntam tudo que gostariam de saber sobre o novo assunto em pauta, e tudo será anotado pelo professor.

nA prática social inicial pode ser feita como um todo no início da unidade e retomada, em seus aspectos específicos, a cada aula, conforme o conteúdo a ser trabalhado. Ou, a cada aula, o professor destaca a prática social específica do conteúdo que vai trabalhar naquele dia.

2º passo:  PROBLEMATIZAÇÃO:

nIdentificar os principais problemas postos pela prática e pelo conteúdo curricular, seguindo-se uma discussão sobre eles, a partir daquilo que os alunos já conhecem;

nExplicar que o conhecimento (conteúdo) vai ser construído (trabalhado) nas dimensões conceitual, científica, social, histórica, econômica, política, estética, religiosa, ideológica, etc., transformadas em questões problematizadoras.


3º passo: INSTRUMENTALIZAÇÃO:

nÉ a apresentação sistemático-dialógica do conteúdo científico, contrastando-o com o cotidiano e respondendo às perguntas das diversas dimensões propostas. É o exercício didático da relação sujeito-objeto pela ação do aluno e mediação do professor. É o momento da efetiva construção do novo conhecimento.

4ºpasso: CATARSE:

nRepresenta a síntese do aluno, sua nova postura mental; a demonstração do novo grau de conhecimento a que chegou, expresso pela avaliação espontânea ou formal.

5° passo: PRÁTICA SOCIAL FINAL:

nÉ a manifestação da nova atitude prática do educando em relação ao conteúdo aprendido, bem como do compromisso em pôr em execução o novo conhecimento. É a fase das intenções e propostas de ações dos alunos.

Metodologia da Problematização do Ensino por Neusi Berbel:

·          REALIDADE SOCIAL: como ponto de partida e de chegada;
·          processo criativo de     ação-reflexão sobre um determinado aspecto extraído, observado ou vivido;
·          este aspecto será traduzido em nova ação (mais elaborado);
·          provocar intencionalmente  alguma transformação;
ETAPAS:

·         OBSERVAÇÃO
o        Observar algo relacionado à temática de estudo.
o        Perceber o que é pertinente.
o        O conhecimento permite ao aluno ver determinado aspecto como problema.
o        Problematização: exercício intelectual e social.
·         VÁRIOS PROBLEMAS
o        Dadas as condições, analisar se todos os problemas poderão ser estudados ou se priorizará um deles.
o        Para selecionar o problema (usar critérios).
·         PONTOS CHAVES
o        Identificá-los no problema:
o        Quais as suas possíveis causas
o        Quais seus possíveis determinantes contextuais
o        Quais seus componentes e seus desdobramentos
·         TEORIZAÇÃO
o        Resposta das questões anteriores darão origem à uma lista de: preocupações; afirmações iniciais; novas perguntas; pressupostos orientadores de estudo; tópicos a serem explorados; diferentes formas de elaboração.
o        Usar idéias e teorias já disponíveis sobre o problema.
o        Se houver necessidade voltar à observação.
o        Buscar sistematicamente informações técnicas, científicas, empíricas, oficiais, com auxílio de procedimentos de pesquisa.
o        DIFERENTES ÂNGULOS DO PROBLEMA SÃO ANALISADOS A PARTIR DAS INFORMAÇÕES COLHIDAS EM DIVERSAS FONTES.
·         HIPÓTESES DE SOLUÇÃO
o        Momento de comparar crenças iniciais com as informações atuais.
Pode-se reforçar posições anteriores, reformular posições iniciais.
o        Aprendizagem efetiva vem da relação da teoria com a percepção dos fenômenos concretos, reais.
o        Encontrar alternativas;
o        Elaborar propostas de superação do problema central em estudo;

·         APLICAÇÃO À REALIDADE (prática)
o        Ações sobre a realidade, que devem ser tomadas, executadas ou encaminhadas;
o        Compromisso dos alunos com o seu meio;
o        Aplicação à realidade
§         O que fazer
§         Como fazer, em que condições
§         Com que estratégias
§         Com que recursos
§         Para obter que efeitos
§         Com que finalidade e para beneficiar a quem
o        Condições objetivas
§         Nível de conhecimento
§         Disponibilidades das pessoas envolvidas
§         Autoridade; poder necessário para intervenção
§         Uso das estratégias; momento oportuno
§         Grau de comprometimento e consciência social

REFERENCIAL TEÓRICO

1.        BERBEL, Neusi Aparecida Navas. A metodologia da problematização no ensino superior e sua contribuição para o plano da práxis. Revista Semina. Londrina. V. 17. Edição especial. p. 7 a 12. nov. 1996.
2.        BORDENAVE, Juan Díaz; PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de ensino-aprendizagem. 11 ed. Petrópolis: Vozes, 1989. p.  117-118.
3.        GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.
4.        LEITE, Lígia Silva (coord) et all. Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2003
5.        LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991. p. 221-247
6.        MARTINS, José do Prado. Didática geral. São Paulo: Atlas, 1988. p. 183-194.
7.        NÉRICI, Imídeo G. Introdução a Didática Geral. Rio de Janeiro: Ed. Científica, s.d., 149-157.
8.        PILETTI, Claudino. Didática Geral. 23 ed. rev. São Paulo: Ática, 2003.  p. 60-85
9.        VASCONCELOS, Celso dos S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. 5. ed. São Paulo: Libertad, 1999. p. 148-151.

Organizado pela Professora Rosângela Mello


9 – Elabore três objetivos específicos para uma aula, cujo conteúdo é Matemáticas (as quatro operações)
10 – Escolha um modelo de Plano de Aula e argumente sua preferência.